FEIRA DO LIVRO 2015

FEIRA DO LIVRO 2015 SANTA MARIA



A Praça Saldanha Marinho estava lotada para a abertura da edição 2015 da Feira do Livro na manhã deste sábado. O cerimonial teve seu início com a apresentação da Banda da 3ª Divisão do Exército, seguido de uma homenagem à professora Ruth Larré com o recital do poema “Porque aquietar-se” declamado por Maria Venite. Após, o cantor e compositor, Junior Benaduce interpretou uma canção em referência ao homenageado Vinicius Pitágoras Gomes. A esposa, Eva Lúcia Gomes agradeceu emocionada a escolha.



O professor homenageado, José Newton Cardoso Marchiori destacou a importância da festa literária para a cidade: “O livro é o ícone da cultura e da civilização. Professores e livros nunca serão descartados”. Para a patronesse da Feira, Haydée Hostin Lima o clima que a Feira proporciona aos visitantes é mágico. “Os livros serão as lâmpadas da praça. A poeta se relaciona com as bancas e o mágico universo que se cria ao longo dos dias e aqui se sentirá em casa”.

Fonte: http://feiradolivrosm.com.br



HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE MARIANO DA ROCHA O REITOR DA UFSM - FUNDADOR

Revista MIX conta a trajetória de José Mariano da Rocha Filho Reprodução/Arquivo pessoal
Foto: Reprodução / Arquivo pessoal
Mauricio Araujo


"Nunca houve tempos difíceis, mas, sim, tempos de muito trabalho e muita fé". Era assim que o santa-mariense, uma das personalidades mais importantes do século 20, expressava sua dedicação ao desenvolvimento do Ensino Superior brasileiro.José Mariano da Rocha Filho, o fundador e primeiro reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), completou, na última quinta-feira, o centenário de nascimento. Na certeza de que a educação é o único caminho para o progresso, deixou um legado de ensinamentos que, misturados à história, transformaram a cidade e o Brasil.Médico por formação e educador por vocação, Mariano da Rocha, conhecido como Marianinho, foi um visionário na expansão das universidades públicas brasileiras. Foi ele quem impulsionou a descentralização do Ensino Superior (antes restrito às capitais) para as cidades do interior.Desde a juventude até a fase adulta, carregou nos seus ideais sonhos de um futuro em que a Educação Superior pudesse chegar a todos os cidadãos. Era o começo da democratização do ensino. Fundar a Universidade de Santa Maria foi um desafio ao marido de Maria Zulmira, não só pela audácia do projeto, mas também pelas dificuldades impostas por quem enxergava a Universidade de Marianinho como um devaneio.Os passos do progressoTudo começou em 1931, quando a Faculdade de Farmácia de Santa Maria foi criada por Francisco Mariano da Rocha e José Mariano da Rocha, tio e pai do fundador da UFSM, respectivamente. Em 1945, Marianinho assumiu a Faculdade, que estava endividada. Para reverter a situação, em 1947, ele conseguiu que fosse incluído na Constituição Estadual um artigo que transformava a Universidade de Porto Alegre em Universidade do Rio Grande do Sul (URGS), anexando também as faculdades livres de Santa Maria e Pelotas a esta.O episódio levou à renúncia do reitor da URGS, Armando Câmara, e de toda diretoria, contrários a anexação. Três anos depois, a URGS e as Faculdades foram federalizadas.— Mariano foi tão grande para Santa Maria que se mudassem o nome da cidade para o dele não estariam retribuindo nem a metade do que ele fez para este município. Ele foi um homem genial, que sonhou e realizou seus sonhos — destaca o amigo e atual provedor do Hospital de Caridade de Santa Maria, Walter Jobim.A seguir, amigos, autoridades e familiares contam um pouco mais sobre a trajetória de José Mariano da Rocha Filho, o médico e educador que tirou do papel o sonho de criar uma Universidade e colocou seu nome na história da educação superior do Brasil.A Nova Universidade de MarianoA articulação de José Mariano da Rocha Filho pela democratização e interiorização do ensino começou na década de 1940. As universidades, à época, estavam localizadas apenas nas capitais dos Estados, mas Mariano da Rocha queria mais. Acreditava que o ensino precisava chegar ao interior, atingindo todas as pessoas. Para fortalecer a ideia, criou e presidiu a Associação Santa-Mariense Pró-Ensino Superior (Aspes), sendo uma entidade que reunia as principais lideranças e com importância fundamental para a criação de novos cursos na cidade e para a fundação da UFSM.Em 1952, sua insistência e incansável luta começam a tomar forma, com o lançamento da pedra fundamental da primeira construção da UFSM (prédios das faculdades de Farmácia e Medicina). No ano seguinte, dedica-se a viagens para Estados Unidos e Europa na intenção de identificar sua concepção de universidade. Fazendo parte do Conselho Universitário da UFRGS, Mariano da Rocha obteve, em março de 1954, a autorização para o funcionamento do curso de Medicina no município, anexo à Faculdade de Farmácia.Mas um dos momentos mais implacáveis foi quando apresentou, em 1957, para o então presidente Juscelino Kubitschek, seus planos para a criação da Universidade de Santa Maria.O grande diaO dia 14 de dezembro de 1960 surge como uma data de importância histórica para Mariano e Santa Maria. Neste dia, em Goiânia, Juscelino sancionou a lei que criou a UFSM. A partir dali, o empreendimento ganhou vida e a história que já supera os 50 anos começou a ser contada. Em 1962, Mariano lançou o livro USM, a Nova Universidade, contando os planejamentos e projetos da instituição.— A universidade é o que é graças a liderança e inteligência do Doutor Mariano. Era uma liderança inteligente, humanista, preocupada com a democratização ao ensino — conta o reitor da UFSM, Paulo Burmann.Trajetória na medicinaExtremamente dedicado aos estudos, José Mariano da Rocha Filho recebeu o prêmio Carlos Chagas como melhor aluno da turma de Medicina da Universidade de Porto Alegre (UPA) de 1937. A formação foi decisiva para alavancar a carreira de médico e, concomitantemente, a de educador.Apaixonado pela Medicina, trouxe para Santa Maria o curso, sendo a segunda graduação da cidade, antes mesmo do surgimento da Universidade Federal de Santa Maria.No mesmo ano da formação, Mariano é convidado a lecionar na disciplina de Microbiologia na Faculdade de Farmácia de Santa Maria, fundada por seu tio, Francisco Mariano da Rocha, e por seu pai. Entre 1937 e 1966, realizou mais de 20 cursos de especialização na área médica, publicando mais de 20 artigos.Em uma das suas inovações na medicina — mostrando, mais uma vez, ser um visionário incansável, — Mariano da Rocha, em 1958, introduziu o primeiro sistema fechado de TV na América do Sul a ser usado para dar aulas de cirurgias aos alunos, além de ter comprado o segundo microscópio eletrônico do país com apoio da Aspes e da comunidade.— Imagina, nesta época, ele introduzir tecnologias modernas à medicina. Foi assunto em todos os lugares do país — lembra, em Santa Maria, Walter Jobim.Nos anos de 1970, por quatro anos, Mariano da Rocha também foi provedor do Hospital de Caridade de Santa Maria, ajudando no desenvolvimento da instituição. No Museu Gama d'Eça é possível encontrar várias relíquias que pertenceram a Mariano no decorrer de sua trajetória.O pai, o amigo e o profissional"Maria, Maria". Era assim que, com gritos e sorriso no rosto, Marianinho chegava em casa, sempre chamando a mulher. Era necessário procurá-la pelos quartos e salas do antigo lar da Venâncio Aires, 1.826, pois certamente ela estaria envolvida com algum dos 12 filhos do casal — seis homens e seis mulheres. Como resposta à saudade pelos períodos de longas viagens, dava um beijo suave e delicado na testa da mulher.Oitavo filho do médico José Mariano da Rocha e de Maria Clara Marques Mariano da Rocha, Marianinho nasceu em 12 de fevereiro de 1915, em Santa Maria. Seguindo os mesmos passos do pai, entrou aos 16 anos no curso de Medicina da Universidade de Porto Alegre. Na instituição da Capital, já mostrou sua liderança, fundando e presidindo a Federação dos Estudantes Universitários de Porto Alegre, a Feupa. Sua participação influenciou diretamente na criação da primeira Casa do Estudante Universitário do Rio Grande do Sul.Em 1938, já formado e em Santa Maria, casa-se com a professora Maria Zulmira Velho Dias, que conheceu em 1933.Além de atuar como médico, professor, reitor, educador, entre outras atribuições, Mariano da Rocha foi um pai muito presente. É o que afirma a filha Eugênia Maria Mariano da Rocha Barrichello. Para conciliar as atividades de rotina e a de pai, levava os filhos de Kombi até as obras de construção dos prédios da UFSM. Encantador contador de histórias de dinossauros, fomentava a imaginação dos pequenos e incentivava a caçada de ossos dos animais no local "das escavações".— Ele nos levava ao gabinete, ao hospital, nas obras da universidade. Estávamos sempre juntos — lembra Eugênia.Carinhoso e afetivo com a esposa e com os filhos, reverenciado e admirado pelos amigos, Marianinho também era conhecido pela alegria e entusiasmo — sendo o último uma das principais armas para suas conquistas. No dia 15 de fevereiro de 1998, três dias após completar 83 anos, José Mariano da Rocha Filho morreu de parada cardíaca, no Hospital de Caridade de Santa Maria.O maior entre os maioresOcentenário de aniversário de José Mariano da Rocha Filho não se resume somente à história da UFSM. Sua dedicação em democratizar o Ensino Superior atingiu todo o Brasil e incentivou a criação de outras universidades. Homem público e conhecido no meio educacional, Marianinho foi convidado, no final dos anos 1960, pelo presidente do regime militar, Costa e Silva, a ser Ministro da Educação. Ele não aceitou. Em resposta afirmou que ainda tinha muito o que fazer em Santa Maria.Na época, não somente a UFSM, como outras universidades do país sofriam com a carência de equipamentos. Como realizava conferências no Exterior e tinha forte ligação com a Universidade de Bonn, na Alemanha, descobriu que os países do leste europeu deviam muito dinheiro ao Brasil. Foi então que conseguiu com o ministro da Educação, Tarso Dutra, que os valores fossem pagos em equipamentos.Em um documentário realizado pela RBS TV, Os 20 Gaúchos Que Marcaram o Século XX, em 1999 — ele foi eleito o Gaúcho do Século, com mais de 90 mil votos — Mariano revela, em um vídeo recuperado da época:— Eu não só equipei a Universidade de Santa Maria, eu equipei o Brasil inteiro. Inclusive as universidades católicas.Mariano acreditava na "multiversidade" (uma universidade com vários campi). Como era conselheiro do Projeto Rondon, foi o idealizador e criador do primeiro campus avançado do Ensino Superior na Amazônia. E em um desses antigos campi da UFSM nasceu em Boa Vista, Roraima, a Universidade Federal de Roraima (UFRR).A Federal de Santa Maria e a de Roraima homenagearam o fundador com o título de Doutor Honoris Causa. Ainda, dezenas de outras universidades brasileiras e internacionais o reconheceram por todas as suas contribuições à educação.— Mariano da Rocha é nome indissociavelmente ligado à educação. Foi a sua luta, liderança e persistência que garantiram a democratização do acesso ao Ensino Superior em nosso Estado — destaca o secretário Estadual da Educação Vieira da Cunha.O legado de um sonhoO sonho de Mariano foi muto além da criação da universidade.Os braços da instituição chegaram a outras áreas, como a economia e a saúde pública, com a construção do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Todos os anos, milhares de alunos ingressam na universidade em busca de um sonho. Hoje, quase 55 anos depois da idealização de Mariano, são mais de 60 mil alunos formados pela UFSM, em 105 cursos de graduação e 96 de pós-graduação. Mais de 27 mil alunos estudam na instituição, que conta com 4,6 mil servidores e os campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Silveira Martins e Cachoeira do Sul, além de Santa Maria.Santa Maria ficou conhecida como uma cidade universitária, jovem, que abre portas para a chegada de estudantes que ingressam na Federal ou nas seis particulares que aqui se instalaram. Na busca pelo ensino, jovens universitários carregam os mesmos ensinamentos de Mariano, em que "o único caminho para o desenvolvimento é a educação".?

Fonte: Revista MIX- Diário de Santa Maria

Colégio Santanna


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